Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Sfumato na Dopamina de Mona Lisa!


"Uma equipa de investigadores, constituída por neurobiólogos, imagiologistas e matemáticos, estudaram durante duas semanas o rosto de Mona Lisa no famoso retrato de Leonardo da Vinci.

Os resultados foram agora divulgados em conferência de imprensa e vão ser publicados numa revista científica de elevado prestígio.

O objectivo da investigação foi o de determinar se existe ou não concordância entre o enigmático sorriso e os níveis de dopamina (o neurotransmissor mais associado ao prazer da recompensa) no encéfalo do modelo, Lisa del Giocondo, durante a pintura do retrato.

Neste estudo foram usados algoritmos que analisam o estado de contracção relaxação dos cerca de 50 músculos faciais que sustentam a arquitectura do sorriso e interpolam os níveis de actividade das vias neuronais responsáveis por tal controlo. As soluções são depois sobrepostas com os níveis de actividade das vias dopaminérgicas responsáveis por um tal sorriso e calculado o grau de verosimilhança da emoção por de trás do mesmo.

Para grande espanto de todos os envolvidos, a equipa de cientistas chegou à conclusão de que o conhecimento actual é insuficiente para interpretar os resultados obtidos: a incerteza associada aos valores determinados sustentaria qualquer conclusão!

De facto, um problema técnico impediu os cientistas de eliminar o efeito da técnica sfumato, utilizada por Leonardo, a qual causa interferência aleatória na informação medida, impedindo a distinção entre as diferentes amostragens e os respectivos valores de controlo.

Por isso, a equipa de cientistas, depois de acérrima votação de braço no ar, decidiu efectuar uma segunda visita ao Museu do Louvre, onde está exposta a obra do génio renascentista, quando o conhecimento e a tecnologia permitir repetir a experiência e obter resultados claros sobre se Mona Lisa estaria ou não a sorrir neuronalmente. Ou seja, se o sorriso corresponde de facto ao que Lisa del Giocondo estava a sentir quando foi pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1507.

A próxima visita ficou agendada para o ano de 2015."

Este é um texto de pura ficção. Mas já agora, o que é o afasta da realidade actual?

António Piedade

27 comments:

  1. "Este é um texto de pura ficção. Mas já agora, o que é o afasta da realidade actual?"

    Isto:

    "Para grande espanto de todos os envolvidos, a equipa de cientistas chegou à conclusão de que o conhecimento actual é insuficiente para interpretar os resultados obtidos:"

    Ninguém ganha nada em dizer que não sabe e quando isso realmente acontece inventa-se. As excepções são tão raras que tornam este parágrafo quase pura ficção.

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  2. Com dopamina ou sem ela,
    de Mona Lisa o sorriso
    é de tirar o juízo
    a quem quiser entendê-la!

    JCN

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  3. nada fazem-se muitos estudos igualmente estúpidos

    basta ver as publicações do pessoal de Beja ou Évora

    ou mesmo os artigos do Passos Morgado no domínio da sua engenharia aeroespacial

    já agora inferir que nas tentações de santo antão
    a biodiversidade era muito superior à actual

    e que os demónios e deformações são sub-espécies do H.sapiens

    já agora analisar os níveis de dopamina no joker em contrapartida com os do Batman

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  4. Com dois toques de sfumato,
    Leonardo baralhou
    a mente de quem tentou
    dissecar o seu retrato.

    JCN

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  5. Um pouco de fantasia... não faz mal a ninguém! JCN

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  6. Aproveitando a boleia:

    MONA LISA

    Quem é, quem foi, de quem será o rosto,
    quem fez a encomenda do retrato,
    por que pôs nele tanto empenho e gosto,
    o artista nunca o disse por recato.

    À falta de segura informação,
    teremos que ser nós a desvendá-lo
    com o noso poder de intuição,
    tentando com a alma interpretá-lo.

    Varando-me os sentidos como um dardo,
    sempre me seduziu essa pintura
    e, através dela, o próprio Leonardo.

    Real ou talvez não, eu imagino
    que o mestre nos legou nesta figura
    uma visão do eterno feminino!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  7. SEM SOMBRA DE PECADO

    Minha mulher tinha um sorriso idêntico
    ao da Gioconda, estranhamente doce,
    à flor dos lábios, límpido e autêntico,
    independente da razão que fosse.

    Anda no espaço ainda esse sorriso
    porque foros ganhou de eternidade,:
    sempre que dele eu alias preciso,
    no fundo está da minha intimidade.

    Sorrir assim, sem sombra de pecado,
    com tão discreta e afável compostura,
    não é de toda a humana criatura.

    Um termo não encontro adequado
    para expessar esse hábito tão lindo
    de, mesmo sem sorrir, estar sorrimdo!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  8. O ponto de vista de Paul Ricœur:

    … … …
    «A primera vista pensamos haber desenmascarado la sonrisa de Mona Lisa descubriendo lo que se oculta tras de ella; hemos hecho ver los besos que la madre prodigó a Leonardo. Pero escuchemos con oído más crítico una frase como ésta: “Acaso Leonardo negó y superó, con la fuerza del arte, el infortunio de su vida amorosa en esas figuras creadas por él y en las que la dichosa reunión de lo masculino y lo femenino representa la realización de los deseos del niño fascinado en otro tiempo con la madre”

    Esta frase suena como la que destacábamos antes a propósito de Moisés. Qué dignificarán las expresiones ‘negado’ y ‘superado’? La representación realizada del deseo infantil, ¿ será, pues, otra cosa que un doble de la fantasía, una exhibición del deseo o una clarificación de lo que estaba oculto ? Interpretar la sonrisa de la Gioconda, no será ‘mostrar’ a nuestra vez en los cuadros del maestro la fantasía develada mediante el análisis del recuerdo infantil?

    Interrogantes que nos llevan de una explicación demasiado segura de sí a una duda de segundo grado. El análisis no nos ha conducido de lo menos conocido a lo más conocido. Los besos que la madre de Leonardo estampó en la boca del niño no constituyen una realidad de la que pudiéramos construir la comprensión de la obra artística. La madre, el padre, las relaciones del niño con ellos, los conflictos, las primeras heridas amorosas, todo eso sólo existe en forma de significado ausente; si el pincel del pintor recrea la sonrisa de la madre en la sonrisa de Mona Lisa, debe afirmarse que la sonrisa no existe en ninguna parte fuera de esa sonrisa, ella misma irreal, de la Gioconda, significada por la sola presencia del color y el dibujo.

    El “recuerdo infantil de Leonardo de Vinci” – para volver al título mismo del ensayo – es evidentemente a lo que remite la sonrisa de la Gioconda, pero a su vez sólo existe como ausencia simbolizable que se excava bajo la sonrisa de Mona Lisa. Perdido como recuerdo, la sonrisa maternal es un lugar vacío en la realidad; en este punto se pierden todas las huellas reales, y lo abolido confina con la fantasía; por lo tanto carecemos de algo que fuera mejor conocido y nos explicara el enigma de la obra artística; es una ausencia apuntada que, lejos de disiparlo, redobla el enigma inicial.”»
    … … …
    “Freud: una interpretación de la cultura”
    Siglo Veintiuno Editores
    11.ª edição espanhola, Madrid, 2004
    Traduzido do original
    “De l’interpretation – essai sur Freud”
    Éditions du Seuil, Paris, 1965


    Obs.: O texto é corrido, sem parágrafos. Inserimo-los para facilitar a leitura.

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  9. O redutor ponto de vista de Paul Ricoeur é só o ponto de vista de Paul Ricoeur. JCN

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  10. Por mais voltas que se dê
    ao sorriso da Gioconda,
    sempre surge um não sei quê
    que impede que ela responda!

    JCN

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  11. Já face a face a indaguei
    no museu onde ela está,
    mas nunca a limpo tirei
    por que razão... sorrirá!

    JCN

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  12. A SORRISO DA MONALISA

    Em um canto escuro
    Repousa um quadro.
    Dentro dele, um sorriso aprisionado
    Enigmático, com sede de liberdade.

    Testemunha dos mais salientes segredos
    Das mais tristes revelações,
    Da mais singela promessa de amor
    À mais cruel das desilusões.

    Calado, paciente... aprisionado.
    No coração do silêncio enfurecido ruge,
    Exigindo tudo,
    Até mesmo o que não mais lhe resta.

    Agamenon Troyan
    10/12/2008

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  13. Ainda a propósito da Mona Lisa ou Gioconda, outra literatura com interesse, ou o reviver do já visto, revisto, conhecido, ou desconhecido.

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  14. MONALISA

    Así, hierática, tómate el brazo
    con la otra mano sobre el negro
    de la tela vestida, tómate
    el tiempo para posar los dedos,
    mano distraída.
    Mírame así, joven esposa
    de Bartolomé del Giocondo,
    con tu rostro bello
    luz, atrás el verde
    valleras,
    y quédate así, quieta,
    con esa beldad
    mirándome,
    tus labios línea,
    tus ojos línea,
    tu complicidad
    de joven esposa,
    quédate, así, quieta,
    pues es seguro
    estas veladuras
    ensimismadas
    y admiradas,
    pinte, quieta,
    tu hueco
    de sonrisa.

    Radamés Buffa Ferrari
    2005-05-24

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  15. SOBRE A MONALISA

    O que instiga mais na face clara:
    O olhar oblíquo e abrangente
    Ou o quase lábio movente
    Que inspira mais que a palavra rara?

    Dos pincéis e enigmas de da Vinci
    Amalgamou-se um semi-sorriso
    Que quer contar um segredo que insiste
    Em perpetuar perguntas no velho viço

    Alegria, resignação...e é tão feminina
    A lady em tela preciosa projetada
    Por séculos se transforma tanta alquimia

    Senhora de amores e filosofias
    E tanta majestade em si encerra
    Aquelas alvas mãos: o afã da sabedoria!

    Ana Lúcia Pinedo

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  16. Do ponto de vista poético, caro Dr. João Boaventura, não podia seleccionar coisa pior! Valha-nos Santa Quitéria! JCN

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  17. A rematar:

    Conforme fez questão de proclamar,
    Leonardosempre teve a veleidade
    de resgaurdar a sua intimidade
    ante qualquer intrometido olhar!

    JCN

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  18. EL MISTERIO DE LA MONA LISA
    Una neurocientífica de la Universidad de Harvard publicó una carta haciendo referencia a sus estudios del cuadro. Según la investigadora, la famosa sonrisa que parece asomarse en la cara de la retratada es una ilusión óptica, probablemente creada deliberadamente por el maestro renacentista con la técnica del sfumato. La doctora explica que la resolución del sistema visual cambia según el punto en el que se centra la mirada. La visión central está dominada por frecuencias espaciales superiores a la visión periférica, lo cual implica una imagen menos definida. En el cuadro de da Vinci se observa que, al fijar la mirada en el fondo o en las manos de la Mona Lisa, la percepción de su boca está dominada por frecuencias espaciales bajas, con lo que parece más risueña que cuando se mira directamente a su boca. Eso explica el fenómeno que tanto ha dado que hablar por el cual la retratada sonríe mientras el espectador no la mira, y su sonrisa desaparece cuando la miramos directamente.

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  19. Por mais que fundamente o seu juízo,
    só disparates diz deste jaez
    quem nunca de mulher alguma vez
    objecto foi de idêntico sorriso!

    JCN

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  20. IMPENETRÁVEL

    Discreta, a Mona Lisa del Giocondo,
    quanto mais se olha, mais ela ela se fecha
    e seu semblante, irónica, compondo,
    esquiva, analisar-se ela não deixa!

    JCN

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  21. SIMULAÇÃO

    Seduz-me aquele jeito de sorrir
    para dentro de si, por trás do olhar,
    apenas aflorando, sem se abrir
    numa expressão capaz de se apanhar.

    Num misto de recôndita magia
    e de uma espécie de íntimo pudor,
    envolve-o uma finíssima ironia
    visando o respectivo espectador.

    Olhando-o fixamente, vem-me à ideia
    que naquele sorriso se recreia
    o próprio autor a seu belo prazer.

    Expoente singular da humanidade,
    sorri-se com velada alacridade
    de criatura alguma o entender!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  22. Dopamina

    Alguns átomos de carbono, hidrogénio, azoto e oxigénio despertam a vista do sono.
    Um sorriso feito de génio, irrompe de um rosto imerso em sábias ilusões, e em verso, respondem ilustres viajantes, senhores de saberes desbravantes. E a dopamina, qual caravela,
    ninguém questiona que é feito dela?

    António Piedade

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  23. Cientificamente analisar
    o génio, é devaneio que ultrapassa
    a possibilidade de encontrar
    os fundamentos da divina graça!

    JCN

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  24. Sorrir-se sem perder a compostura
    nem pôr a descoberto a intimidade
    da sua majestática figura,
    é dom tão-só da genialidade!

    JCN

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  25. Só faltava a dopamina
    para embrulhar a questão
    pelo que toca à razão
    dessa expressão feminina!

    JCN

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  26. Por mais que se analise essa figura
    de Mona Lisa até à exaustão
    há-de haver sempre alguma conjectura
    a formular como última razão!

    JCN

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