domingo, 27 de fevereiro de 2011

Azulejos pedagógicos


Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:

Nova edição do programa “Trilhos” a 27 de Fevereiro

Azulejos que ensinam matemática motivam passeio pela Alta de Coimbra

“A cidade deve tomar consciência dessa experiência única”, acredita António Leal Duarte.

Já foram apresentados como sendo os "PowerPoint " do século XVII. Coimbra esconde alguns azulejos jesuítas que já serviram para ensinar matemática, física e astronomia. O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) dedica-lhes uma edição do programa Trilhos, no domingo, dia 27 de Fevereiro, às 11 horas. O “Passeio com os Azulejos Jesuítas” será conduzido por António Leal Duarte, docente no Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa iniciativa pensada para as famílias.

Peças essenciais para a história da Ciência em Portugal, os azulejos em causa reproduzem figuras de um compêndio de geometria usado nas escolas da Companhia de Jesus, súmula que foi substituído por um outro, com as Reformas educativas do Marquês de Pombal.

António Leal Duarte explica por que razão esta colecção de azulejos é tão importante. “Uma descoberta arqueológica junto ao Laboratorio Quimico, no passado mês de Novembro, permitiu transformar aquilo que era uma suposição numa certeza: passou a ser seguro que estes azulejos (que, originalmente, deviam ser mais de 500, dos quais restam cerca de dúzia e meia) se encontravam no Colégio das Artes de Coimbra da Companhia de Jesus, tendo sido, possivelmente, retirados das paredes aquando das transformações ocorridas nos Colégios Jesuítas, por ocasião da Reforma em 1772”, realça o especialista.

Uma experiência pedagógica de grande interesse e única no mundo

O professor de Matemática indica, também, que Coimbra foi palco, nos finais do século XVII e princípios do século XVIII, de uma experiência pedagógica de “grande interesse e única no mundo”. “Em geral, os azulejos são usados com função decorativa. Neste caso, o objectivo desta colecção seria unicamente didáctico: o "PowerPoint" do século XVII, como já lhes chamou o Professor Henrique Leitão, grande especialista do ensino e da Ciência dos Jesuítas”, esclarece.

António Leal Duarte sublinha ainda que nada de semelhante é conhecido na época e que uma rápida pesquisa na internet pode revelar o interesse que esta colecção começa a despertar, nomeadamente no Brasil. “Julgo, por isso, que a cidade de Coimbra deve tomar consciência dessa experiência única”, remata o investigador. Relembra ainda as palavras do conhecido historiador de Ciência do século XX, George Sarton, defendendo que não se pode estudar a História da Matemática do século XVI ou XVII, sem “encontrar um Jesuíta em cada canto”. “Embora os Jesuítas portugueses cultivassem mais as Humanidades, também tiveram algum papel no ensino da Matemática, como estes azulejos testemunham”, refere António Leal Duarte.

O passeio pelos edifícios jesuítas da Alta de Coimbra terminará com uma visita aos azulejos do Museu Nacional Machado de Castro (MNMC), que organiza o passeio com o Museu. Os “Trilhos” do Museu da Ciência da UC decorrem uma vez por mês, sempre ao domingo, entre as 11h e as 12 horas. A participação é gratuita, mas requer, contudo, de marcação prévia por e-mail (geral@museudaciencia.org) ou por telefone (239 85 43 50), uma vez que o número de inscrições é limitado a 25 participantes.

Mais informações: aqui,

2 comentários:

  1. vá lá puseram um azulejo

    assi pode ser que lá vão uns cobres

    as universidades e fundações associadas andam necessitaditas

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  2. Nunca é tarde para se reconhecer o mérito a quem quer que que seja! JCN

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