sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bento de Moura Portugal (1702 - 1766)


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra relativa à exposição sobre Sócios Portugueses da Royal Society que inaugura a 15 de Novembro (na imagem a máquina de Savery que Moura Portugal aperfeiçoou):

Bento de Moura Portugal (1702 - 1766)

Físico e engenheiro. Foi eleito membro da Royal Society em 5 de Fevereiro de 1741.

Nasceu em Moimenta da Serra, Gouveia, e morreu no forte da Junqueira, em Lisboa, onde se encontrava encarcerado, vítima do regime pombalino, acusado de conspiração contra o governo.

Cavaleiro da Casa Real e da Ordem de Cristo, estudou Direito na Universidade de Coimbra. Para desenvolver as suas invulgares competências técnicas em assuntos mecânicos, foi enviado por D. João V para o estrangeiro. Assim, durante alguns anos, viajou pela Europa, demorando-se na Alemanha, e também em Inglaterra, onde aprendeu a filosofia newtoniana. Cientista notável, foi chamado “Newton português”. Foi autor de vários inventos e trabalhos de melhoramento para o reino, nomeadamente na área da hidráulica, para benefício da agricultura. Um dos seus méritos foi o melhoramento do funcionamento da máquina de vapor do inventor inglês Thomas Savery (c.1650-1715). A sua máquina, chamada “de fogo”, era capaz de funcionar por si mesma, um progresso muito apreciado pelo inglês John Smeaton (1724-1792), um dos pioneiros da locomotiva, que a divulgou nas Philosophical Transactions.

Alguns dos seus escritos foram redigidos no cárcere, em condições dramáticas e completamente ignorado. Prestou-lhe homenagem e reconhecimento público Teodoro de Almeida quando, juntamente com uma crítica ao comportamento despótico do Marquês de Pombal, incluiu, no terceiro volume da sua obra Cartas físico-mathemáticas (Lisboa, 1799), a carta com o título Sobre huma máquina para provar a causa das marés, segundo a doutrina do grande Bento de Moura Portugal. Os 28 cadernos de manuscritos da prisão, juntamente com outros apontamentos do autor, foram publicados pela primeira vez pela Imprensa da Universidade de Coimbra, em 1821, sob o título Inventos e vários planos de melhoramento para este Reino : escriptos nas prisões da Junqueira por Bento de Moura Portugal.

Bibliografia:

- PORTUGAL, Bento de Moura, 1702-1766? - Inventos e vários planos de melhoramento para este Reino : escriptos nas prisões da Junqueira. Coimbra : Na Imprensa da Universidade, 1821. LVII, 223 p. UCBG RB-23-23

- SMEATON, John, 1724-1792 - An engine for raising water by fire, being an improvement of Savery’s construction, to render it capable of working itself, invented by Mr. de Moura of Portugal, F.R.S. Philosophical Transactions. London : Royal Society of London. 47 (1751/1752) 436-439. Contém gravura em folha desdobrável. UCBG A-48-2

16 comentários:

  1. De Moura Portugal a acusação
    foi no regresso ao reino, ouvindo as novas,
    ter duvidado da conspiração
    atribuída aos Távoras sem provas!

    JCN

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  2. Eram seus conterrâneos de Gouveia,
    onde tinham morada e vizinhança,
    gente da alta nobreza, de mão cheia,
    que sempre lhe inspirara confiança.

    Não haveria em toda esta questão
    uma qualquer obscura suspeição?!

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  3. O seu solar brasonado,
    que em Nespereira aina existe,
    há muito já que se insiste
    em ser musealizado!

    JCN

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    1. O solar onde nasceu este ilustre cientista português, fica situado na freguesia onde o mesmo nasceu, isto é em Moimenta da Serra - Gouveia, onde se encontra também o seu busto no jardim em frente à sede da junta de freguesia. Há fotos desse solar que posso disponibilizar a quem estiver interessado.

      F. Pais

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  4. É curioso que, há pouco tempo (enquanto tentava ter uma perspectiva histórica da termodinâmica desde o cilindro de Huygens até ao trabalho de Clausius na área), deparei-me com o De Moura no livro de domínio público "A descriptive history of the steam engine". O livro encontra-se em:

    http://books.google.com/books?id=nys1O7lBD2kC

    Refere (página 85), numa breve descrição, do melhoramento introduzido na máquina de fogo.

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  5. Há em Moimenta da Serra uma estátua dele, num dos jardins da aldeia.
    O meu avô casou uma 2ª vez e foi com uma Moura Portugal; inclusivé, o meu baptizado foi em Moimenta da Serra, numa das suas casas.
    Contacto assiduamente com os Moura Portugal,que se encontram espalhados pelo país, entre Viseu e Lisboa.

    Anabela Claudina Costa

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  6. Olá Anabela também estive em Moimenta...Adorava ter mais inf sobre Moura Portugal... Quem era a Moura Portugal que casou com o seu avô?

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    1. Tenho várias informações que lhe posso facultar, sobre este ilustre Moimentense. Terei enorme prazer em responder ao seu pedido.

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  7. :))) Minha bisavó paterna chamava-se Antónia de Moura POrtugal - (Ribeiro pelo casamento).
    Sempre ouvimos falar neste nosso ilustre antepassado.
    Como sou prof de Biologia, frequento este óptimo blog mas ainda não tinha visto esta referência!
    Abraço!

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  8. Fátima Moura Portugal3 de maio de 2011 às 23:42

    Fátima Moura Portugal escreve:
    A curiosidade do meu comentário está no facto de o meu pai (Mário Delgado de Moura Portugal) ter sido o único de três irmãos a ser registado com os apelidos por esta ordem enquanto os outros dois eram Portugal de Moura.

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  9. Gostaria que informassem acerca da «MAQUINA» para detectar o poder das marés, que julgo terá sido descrita enquanto o cientista esteve preso. Que relação terá tido,com BARTOLOMEU DE GUSMÃO? Já que também foi patrocinado por D. JOÃO V.

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  10. Bento de Moura Portugal, personagem ilustre de Moimenta da Serra, tinha a sua casa na freguesia onde nasceu, e não em Nespereira como um anónimo (JCN) afirmou num comentário de 20 de Outubro de 2010. Lamento muito informar esse sr. que provavelmente habita Nespereira, que está muito enganado. Leia informação mais fidedigna é o meu conselho.

    JP

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  11. Este manuscrito de Bento de Moura Portugal é conhecido? http://www.metmuseum.org/art/collection/search/682011?sortBy=Relevance&who=Moura+Portugal%2c+Bento+de%24Bento+de+Moura+Portugal&ft=*&offset=0&rpp=20&pos=1

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  12. Proponho que se "abata" a gigantesca estátua do execrável ditador/assassino!!! Uma petição para o efeito já ia!!!Cesar Monteiro

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  13. Nem “Moura” surge entre os meus apelidos, nem “Portugal”. O primeiro perdeu-se no correr dos séculos, ao segundo nunca tive direito . E que pena tenho desse facto …
    E que pena tenho também de se ter perdido a memória de quem foram os meus …
    E como me senti ainda mais de “Portugal”, se possível, ao tê-los descoberto. Na alegria, na dor, no orgulho e por vezes na vergonha de partilhar das suas vidas. Dos seus amores e dos seus ódios. Das suas “grandezas” e “misérias” …
    Um a um, ao longo de muitos milhares de horas de pesquisa genealógica.
    Assim “surgiu” Bento de Moura Portugal. Com tristeza o confesso – desconhecia a sua existência.
    Apresentou-se-me na prisão da Junqueira, onde uma noite destas o vislumbrei. Escrevia então com estranho ossito de galinha afiado e com tinta improvisada do fumo da candeia que o alumiava. Já passava muito da meia-noite, mas os esbirros, costumam dormir sem consciências pesadas. Talvez nem as tenham…
    As palavras iam surgindo no papel pardo que também clandestinamente conseguira. Escrevia então “INVENTOS E VARIOS PLANOS DE MELHORAMENTO PARA ESTE REINO”.
    Bento de Moura Portugal, o preso, o injustiçado, o que iria enlouquecer, miserável e esquecido amava profundamente a sua Pátria ! Emocionei-me …
    Uma alusão a uma deixa ( de magra economia) despertou-me a atenção “e em descendentes de meu avô Pedro de Castanheda e Moura”. Quase saltei !
    Seu avô “ Pedro de Castanheda e Moura “ tinha sido … meu 10º avô !
    Seu pai, “Manuel” era meio-irmão de “António Castanheda de Moura”, cuja vida eu tanto perscrutara. Tempos atrás descobrira os processos de habilitação dos dois irmãos para o Santo Ofício. E contudo, contudo ….
    Senti orgulho, claro …
    …"depois do grande Newton em Inglaterra, só Bento de Moura em Portugal.!", dissera o cientista alemão Osterrieder.
    Grandes foram as glórias, descobertas, sonhos e amarguras perdidas naquela masmorra da Junqueira! Também a lucidez ao fim de 16 anos de presídio. Decerto a esperança morta naquela desmantelada “Caixa de Pandora” …
    Sebastião José de Carvalho e Melo sempre foi vingativo (além da inveja da aristocracia antiga de que foi acusado).
    Leiam-se as “Memórias da Condessa de Atouguia”, D. Mariana Bernarda de Távora. A última Condessa de Atouguia, cujo marido, subiu ao patíbulo dos Távoras.
    Conheça-se também a história da mãe do 1º Duque de Palmela, D. Isabel Juliana de Sousa Coutinho Paim, o “bichinho de conta” .
    Duas mulheres que o destino forçou a desafiarem o Marquês de Pombal…
    Curiosamente duas irmãs netas de Isabel Juliana, o “bichinho de conta”, casam-se com dois irmãos descendentes do avô de Bento de Moura (“malhas que o Império tece”) , o referido Pedro de Castanheda e Moura.
    Senti orgulho por Bento Moura, claro . Mas também se me apertou o coração….
    Bento de Moura Portugal, que infelicidade foi a tua ao teres regressado ao teu amado país!
    …..
    Foi António Castanheda de Moura meu 9 º Avô e irmão consanguíneo de Bento de Moura Portugal.
    Sua mulher, Maria Ferrão de Castanheda era por sua vez prima de Bento de Moura Portugal. Seu avô paterno, Brás de Castanheda de Moura era irmão do avô deste, o referido Pedro de Castanheda e Moura .

    Enquanto eu própria tiver memória, ficará em mim gravada a sua memória …
    Procurarei transmiti-la aos meus descendentes. E não apenas a estes …

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  14. Tenho estudado as raízes da família Moura Portugal do concelho de Gouveia. Segundo as pesquisas efetuadas em diversos registos, alguns dos seus membros residiam de facto em Nespereira.

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