domingo, 26 de setembro de 2010

Manuais (sempre) para crianças?

Quando os pré-adolescentes passam a adolescentes, segundo algumas classificações psicológicas aí pelos 12 ou 13 anos, acentuam as suas reivindicar junto dos adultos, nomeadamente, o direito a apresentar-se com um certo estilo pessoal e a sair à noite, sendo, ao que parece, muitos deles atendidos nestas reivindicações.

Enquanto tal, pede-se-lhes que estudem entusiasticamente por manuais escolares onde constam como elemento motivador, suponho, desenhos que representam crianças, apelando para uma imagem de si que me parece ter deixado há muito, lá atrás no seu passado.

Abaixo está um exemplo que escolhi dos muitos que constam nos livros publicados ou republicados neste ano, para a dita faixa etária. Aparece num livro de Matemática para o 7.º ano de escolaridade para ilustrar o problema "Qual foi o número em que o Gabriel pensou?"

8 comentários:

  1. José Batista da Ascenção27 de setembro de 2010 às 08:56

    Sabe, Professora Helena, para uma grande parte dos alunos isto não constitui qualquer problema: eles conservam tão bem os manuais que alguns chegam ao final do ano completamente novos, praticamente intactos.
    Mas, mesmo nesses casos, já cumpriram a sua função, a qual foi alimentar o mercado, à custa dos sacrifícios de tantos e tantos pais...
    Essa muidagem, por vezes com grande capacidade, anda mais na escola (talvez devamos dizer estabelecimento de ensino, ou centro escolar, ou agrupamento, ou...)para socializar, para o "learning street" (feliz expressão!), talvez na suposição de que não faltarão (novas...) oportunidades. E os cotas sofrem? Que importa isso? Acaso saberiam eles viver sem sofrer? E os jovens, eles mesmos, também sofrem? Ah, claro que sofrem, mas vão-se anestesiando como podem...
    Só falta um decreto que obrigue ao optimismo. E nada me admiraria que alguém esteja a pensar nisso.

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  2. Ora essa, a imagem do livro está bem alinhada com a alocução da Sra. Ministra da Educação.

    É caso para dizer: Gu-gu, da-da!

    SNG

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  3. Os alunos não podem crescer, ponto final parágrafo. E não podem em nenhum sentido, ponto final parágrafo.

    Lembro-me bem de alguns alunos protestarem contra a infantilidade de alguns exercícios e da linguagem utilizada ao longo dos manuais. Lembro-me bem de afirmarem que não são nenhumas "criancinhas" e muito menos "atrasadinhas".

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  4. Isto é na realidade uma crítica directa aos professores que escrevem manuais e aos professores que escolhem manuais. Isto nem é bem uma crítica, é mais uma ridicularização. Porque em tudo são professores da disciplina os envolvidos, não os investigadores das ciências da educação. Solução? Despeçam-se os professores talvez. Agora culpar o Ministério parece-me demagogia. Os manuais até foram validados cientificamente por equipas universitárias. Foi a Ministra que conspirou mais esta?

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  5. Seria interessante ouvir a opinião do Professor Carlos Fiolhais, tendo presente os seus manuais do Ensino Secundário...

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  6. não vejo nenhum problema na ilustração. os adolescentes como qualquer pessoa devem saber distinguir o conteúdo do acessório. ou deveremos desconfiar da seriedade de uma mulher adulta que veste um qualquer acessório da hello kitty? acho que não é por aí.

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  7. "Isto é na realidade uma crítica directa aos professores que escrevem manuais e aos professores que escolhem manuais. Isto nem é bem uma crítica, é mais uma ridicularização. Porque em tudo são professores da disciplina os envolvidos, não os investigadores das ciências da educação. Solução? Despeçam-se os professores talvez. Agora culpar o Ministério parece-me demagogia. Os manuais até foram validados cientificamente por equipas universitárias. Foi a Ministra que conspirou mais esta? "

    E quem formou os professores?

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  8. Fartinho da Silva disse:

    "E quem formou os professores?"

    Foram outros professores do ensino superior. E estes professores, quer se dediquem ao ensino da componente "científica" quer ao ensino da "componente educacional", são responsáveis por ministrarem um bom ensino e por reprovarem os alunos que não atinjam determinados objectivos. Infelizmente sabemos que muitas vezes que assim não é. Os alunos vão passando, talvez não à primeira, mas vão concluindo as suas licenciaturas. E um dia desaguam nos cursos de formação de professores. Como as instituições do ensino superior necessitam das suas propinas eles entram em cursos que, caso houvesse algum grau de exigência e de decência, nem sequer deveriam ter entrado. E continuam a passar. Eventualmente com classificações baixas, mas muitos lá acabam por obter a tão desejada profissionalização. Neste quadro defendo, sem hesitações, um exame de acesso à profissão. Ele encontra-se previsto, mas até ao momento não foi ainda realizado nenhum. Aguardemos pois.

    Quanto à qualidade dos manuais concordo em absoluto com o que um anónimo escreveu atrás: os manuais foram escritos por professores, para professores, revistos por professores, por norma do ensino superior, e escolhidos por professores. A responsabilidade é, por isso, 100% dos professores. Recuso-me a acreditar que nas disciplinas do currículo do ensino regular não existam bons manuais. Aliás sei que não é assim.

    PJ

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