quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O MASSACRE DE COIMBRA


Outro extracto das "Campanhas do Exército de Portugal. 181o" (do francês M. Gingret, Livros Horizonte), que conta como os feridos franceses da batalha do Buçaco foram deixados pelos seus camaradas na cidade de Coimbra, que foi saqueada, para depois serem massacrados pela milícia portuguesa que recuperou a cidade:

"O número de desgraçados que se teve a crueldade de abandonar em Coimbra elevara-se a cerca de três mil: havia poucos doentes, a maior parte eram os bravos, feridos no Buçaco... Mais de um milhar destas vítimas teriam podido seguir-nos e combater ainda mais nas nossas fileiras, decorridos dois meses, se se tivesse metido todos os chefes de corpo dentro da confidência. Sim, os comandantes dos regimentos teriam podido levar e salvar metade dos soldados que deixaram em Coimbra, se tivessem sido prevenidos que não deviam abandoná-los sem piedade. Todavia deixou-se ficar uma pequena companhia para fornecer sentinelas aos hospitais: era sacrificar mais alguns soldados. (...)

Nestas circunstâncias, soubemos que os três mil infelizes que abandonáramos em Coimbra tinham sido levadois e conduzidos para o Porto, por um corpo de três mil portugueses que os tinham maltratado muito, sobretudo no momento em que estes entraram nos hospitais. Todos os objectos que os nossos desafortunados companheiros tinham podido conservar, todas as suas roupas lhes foram confiscadas desumanamente; as ligaduras que comprimiam as suas feridas foram-lhes arrancadas, apesar dos seus gritos de dor, pois alguns soldados portugueses movidos por uma avareza sórdida contavam ainda descobrir dinheiro escondido junto às chagas vivas e sangrentas. Este acontecimento tão desencorajador para o exército, e que os historiadores qualificarão com um epíteto mais enérgico, teve a lugar a 7 de Outubro.

Os nossos soldados, tendo adquirido a certeza de que não fora deixada nenhuma guarnição em Coimbra para zelar pela segurança dos seus camaradas, feridos num combate em que tomaram parte com tanto valor, manifestaram-se abertamente contra Massena. Desde então, o exército passou a valer muito menos; o general já não gozava de toda a sua confiança".

Na foto: O Mosteiro de Santa-Clara- a-Nova, adaptado a hospital pelos militares franceses.

4 comentários:

  1. "VAE VICTIS"

    Foi para ambos os lados dolorosa
    a invasão dos franceses no país:
    não sei qual foi, de facto, mais penosa,
    conforme o que a propósito se diz.

    O que em Coimbra se passou não tem
    desculpa alguma relativamente
    ao tratamento dado com desdém
    ao exército invasor e sua gente.

    Entre as altas patentes militares
    existiu sempre um código moral
    de mútuo pundonor bilateral.

    O mal provinha do comportamento
    ou reacção das classes populares
    sob o impulso do ressentimento!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

    O mal provinha do

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  2. Comprei, quando estudante, coisas várias
    das forças invasoras no Buçaco:
    punhais, espas, dentre as quais destaco
    balas de artilharia, extraordinárias.

    Relíquias são de altíssima importância
    que puseram à prova, frente a frente,
    o indomável valor da nossa gente
    ante os franceses cheios de arrogância.

    Vendeu-mas Quim Martins, o conhecido coimbrólogo no fim da sua vida
    por insistência minha, a meu pedido.

    Que pena a minha de não ter também
    a tricolor bandeira recolhida
    compadecidamente por alguém!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  3. Formato de novo, correctamente, o 1º terceto:

    Vendeu-mas Quim Martins, o conhecido
    coimbrólogo no fim da sua vida
    por insistência minha, a meu pedido.

    JCN

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  4. Portugal não é um país fácil

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