quarta-feira, 24 de março de 2010

"Também disponível em livro"

Felizmente há Luar, de Luís de Sttau Monteiro,
Memorial do Convento, de José Saramago,
Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett,
Os Maias, de Eça de Queirós,
Os Lusíadas, de Luís de Camões,
A mensagem, de Fernando Pessoa.

Sim, confirmei, todas estas obras, que o currículo preceitua como leitura obrigatória no Ensino Secundário, foram devidamente resumidas para uso em telemóvel.

A iniciativa é de um importante grupo editorial de livros escolares, que, como o leitor pode constatar se carregar aqui, nos informa que cada obra está "Também disponível em livro".

4 comentários:

  1. Penso que a nota "Também está disponível em livro" se refere ao iivro de resumos que aiás, é uma ferramenta que existe há largos anos. Esta é apenas uma forma diferente e que me parece ter muitas vantagens para faciitar o estudo. Poder ter resumos em termos audio é fantástico sem falar na componente da mobiidade...

    Não tenho qualquer problema com os livros de resumo/análise. Há resumos e explicações de todas as matérias lecionadas, porque não também as obras? A avaliação feita pelos docentes ao longo do ano é que tem de ser séria e rigorosa para aferir se os discentes leram realmente a obra (coisa fácil de fazer se houver um acompanhamento da dita leitura nas auas).

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  2. Vai ser só copiar!
    A arte de cabular com o telemóvel está cada vez mais desenvolvida. Eu sou professora do secundário e já apanhei alguns alunos a fazê-lo, inclusive uma aluna que, sem que eu visse, colocara todas as perguntas do meu teste (de filosofia) num sms e as enviara a uma colega (aluna de 18) que estava a ter aula de português na turma ao lado e que, sem a professora se apercebesse (e, segundo o que me contou a minha colega, ao mesmo tempo que se mostrava atenta e até participava oralmente), escreveu todas as respostas e as reenviou à minha aluna. Quando eu a apanhei fiquei pasmada com o tamanho do ecrã onde estavam escritas por extenso, com todas as vírgulas e afins, as respostas adequadas a cada pergunta do teste.
    Senti-me uma parola, à espera de encontrar um papelinho em letra miudinha, como nos meus anos 90, em que fui aluna (mas não cabulava), e afinal me deparo com toda aquela tecnologia ao serviço da desonestidade.
    Dado este contexto, e as nossas cabeças ainda não devidamente aculturadas, será cada vez mais difícil controlar a fraude.

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  3. Com livros destes, vamos ter o Camões a escrever "ramanses" de hora a hora.

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  4. José Batista da Ascenção25 de março de 2010 às 21:37

    Conheço (vários) bons alunos que frequentaram o ensino secundário com distintas classificações que nunca pegaram em "Os Maias" ou no "Memorial do Convento" ou na obra poética de Pessoa. Estudaram, claro está, pelos livros de resumos.
    E eu tive que fazer alguma insistência para que os meus filhos seguissem uma via diferente, mesmo com eventual prejuízo de algumas classificações.
    Agora, qual é o professor, nos tempos que correm, que se atreve a dar "notas" baixas a alunos que tenham obtido boas classificações em elementos (documentos) escritos, com respostas impecáveis?, sujeitos a reclamações que os deixariam sob suspeita, para além de implicarem uma carga de trabalhos?
    Estão a ver o que quero dizer?
    Foi aqui que a Escola chegou. E o deslize pelo plano inclinado continua, com "demónios" diversos, mas eficazes, a empurrar.
    O que fazer com a Escola? O que fazer da Escola?
    Primeiro temos que saber o que queremos fazer das nossas crianças e jovens... E a probabilidade de voltarmos a seguir caminhos tortos não será pequena...
    Sendo que é preciso cuidado com as "inovações" a que nos habituaram...

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