AINDA CAGLIOSTRO EM LISBOA
Tendo achado estranho que a senhora de Cagliostro tenha sido paga em pistolas pelo seu amante português, fui consultar o relato que nos dá Camilo Castelo Branco, a partir do processo da Inquisição romana: "Compêndio da vida e feitos de José Bálsamo chamado o conde de Cagliostro ou o judeu errante tirado do processo formado contra ele em Roma no ano de 1790" e que pode servir de regra para se conhecer a índole dos franco-maçons" (tradução do italiano e prefácio do escritor português, Hugin, 2001; o título da capa é só "José Bálsamo, o Conde de Cagliostro", nº 8 da Biblioteca Maçónica). A versão deste livro difere ligeiramente pois já não fala de pistolas. Mas concorda no essencial:
"Vendo-se sem nenhum protector, [o conde Cagliostro e a mulher] passaram a Lisboa. Apenas chegaram ali, o primeiro pensamento de Bálsamo foi informar-se, como soía dizer-se das pessoas ricas e desenfreadas, e soube que havia um mercador, homem de carácter, como lhe convinha. Enviou-lhe logo a mulher a pedir-lhe uma esmola e o socorro que obteve foi uma moeda acompanhada de uma torpe pergunta, convidando-a a ir a uma sua quinta. Por espaço de três meses. foram frequentes as idas ao sítio indicado, recebendo ela como prémio, de cada vez, vinte moedas, O temor, porém, de algum desaguisado com a família do mercador, que bramava com tais amorios, fez com que Bálsamo deixasse Lisboa e passasse a Londres, não sem que primeiro mandasse sua mulher aprender a língua inglesa, que lhe ensinou uma rapariga da mesma nação, à qual, ele, entretanto, ensinava maus costumes."

Carlos
ResponderEliminar"Pistolas" era o nome dado a uma antiga moeda francesa
GL
Obrigado pelo esclarecimento. De um sítio de António Luís Costa sobre moedas francesas encontrei a razão para o nome:
ResponderEliminar"A partir de 1640 passou a ser cunhada uma nova moeda de ouro, chamada louis d'or (por ter a efígie do rei Luís) ou, mais informalmente, pistola. Este nome era originalmente um trocadilho: as nova "pistolas" de ouro estavam destronando os "escudos" no meio circulante assim como as pistolas (e outras armas de fogo) haviam eliminado os escudos medievais no campo de batalha. Vários outros países seguiram o exemplo francês cunhando moedas aproximadamente desse valor (cerca de dois ducados de ouro), também chamadas (às vezes oficialmente) de pistolas ou então com o nome do respectivo governante– Frederick d'or (Prússia), Maximiliam d'or (Baviera), christian d'or (Dinamarca) etc. (nessa época e até o início do século 19, as efígies dos soberanos apareciam apenas nas moedas de ouro)."
Aprendi também que na célebre discussão de probabilidade de Pascal e Fermat discute-se o número de pistolas a dar a cada jogador se um jogo for interrompido.
Carlos Fiolhais
Já procurei o livro "José Balsamo, o Conde de Cagliostro" mas, na edição referida, não se encontra. Estará publicado por outra Editora?
ResponderEliminar