terça-feira, 25 de agosto de 2009

PORTUGAL E O MUNDO 1


A exposição "Portugal e o Mundo nos Séculos XVI e XVII", que está patente no Museu Nacional da Arte Antiga, em Lisboa, é simplesmente imperdível. Teve origem na exposição "Encompassing the World", que esteve em Washington D.C., Estados Unidos, mas incorpora objectos e documentos que aí não foram mostrados.

Para abrir o apetite para a exposição em Lisboa, destaco, entre muitas outras que poderiam ser destacadas, três peças relacionadas com a ciência. A primeira (a ordem nada significa) é um retrato do padre jesuíta italiano Matteo Ricci, pintado em Pequim em 1610 (quando Galileu publicou o seu "Mensageiro do Céu"), e que pertence à Rettoria del SS. Nome di Gesú all'Argentina, em Roma. Ricci, partindo de Macau, foi um dos introdutores do cristianismo na China.

Escreve o Prof. Gauvin Bailey, da Universidade de Aberdeen, Escócia, no excelente Catálogo da exposição:
"Esta famosa tela da autoria do artista cristão chinês Emanuel Pereira (Wu Wenhui, 1575-1633) é o único retrato existente de Matteo Ricci (1552-1610), conhecido em chinês como Li Madou, um dos fundadores da primeira missão chinesa no continente asiático, em Zhaoqing, e um dos maiores linguistas do seu tempo. Poucos missionários jesuítas serão mais famosos do que este poliglota nascido em Macerata na região italiana de Le Marche, o qual, talvez mais do que qualquer outro, tentou integrar a cultura renascentista europeia na civilização chinesa. (...) O seu sacerdócio não era declaradamente religioso, uma vezes que tinha noção que o cristianismo teria de ser apresentado como uma filosofia completa em todo o seu contexto antes que os chineses o levassem a sério. Para Ricci esse contexto encontrava-se essencialmente nas ciências, na Geografia e nas suas obras literárias sobre a moralidade."

3 comentários:

  1. Tive a oportunidade de ver o programa do prof. J. H. Saraiva no último domingo, sobre esta exposição, e creio que o vosso sentido de oportunidade é excelente - especialmente tendo em conta o número de leitores que provavelmente não se irá deslocar a Lisboa até ao final da exposição.

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  2. Já visitei a exposição e confesso que saí de lá desapontada. Não pela qualidade das peças expostas, que são realmente muito boas, mas pela escassa informação e contextualização de muitas delas. Se peças como mapas ou astrolábios ou mobiliário se bastam a si próprias e não precisam de legendas muito detalhadas, há outras peças que mereciam melhor tratamento. Os visitantes que frequentaram o ensino em Portugal e que estiveram com atenção nas aulas de história recordarão detalhes que lhes permitem apreciar melhor o significao de peças emblemáticas como os painéis de São Vicente de Fora ou a custódia de Belém. Mas o mesmo não acontecerá com os visitantes estrangeiros, que não serão poucos.
    A título de exemplo, deparei-me, na sala do Brasil, com uma pintura de um autor português que representava o inferno. Fiquei confusa porque não entendi a ligação desta pintura ao tema Brasil. Tão frustrada me senti que à saída fui procurar no catálogo se existia alguma explicação para a presença daquela pintura na sala do Brasil. E existia. Na pintura, que data depois da descoberta do Brasil, o diabo é apresentado trajado de penas (algo que não consegui detectar quando olhei para o quadro), o que remete para os trajes dos indígenas brasileiros, revelando assim a estranheza (e preconceitos) com que estes novos povos eram olhados pelos europeus. O quadro cuja presença na sala do Brasil tanto me intrigara de repente passou a fazer todo o sentido. Pena que já tenha sido DEPOIS de ter deixado a exposição.

    Resumindo: vale a pena ir, sim, mas quem for muito curioso e quer aprender algo de novo talvez deva adquirir um catálogo antes de entrar na exposição (não faço ideia de quanto custam nem se é possível adquiri-los antes e levá-los para a exposição) e ir consultando o mesmo à medida que vai passando pelas diferentes salas.

    Fiz este mesmo reparo no livro que as visitas assinam no final. Quem sabe um dia conseguem repetir esta exposição (ou uma melhor ainda!) desta vez disponibilizando o uso de audio-guides! Gosto de pensar que sim.

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  3. Subscrevo o que observou Cátia Mendes. Com o bilhete da exposição recebe-se um pequeno guia com um texto que não coincide com as partes em que a mesma se encontra dividida, sendo que os títulos das diferentes secções nem sempre coincidem com os títulos da exposição. Uma enorme confusão que uma revisão atenta antes de mandar para impressão evitaria. O catálogo custa 30 euros e a mim, que o folheei, antes e depois de ver a exposição, não agradou. Também reparei que a informação é pobre, nomeadamente em relação a objectos utilitários de outras partes do mundo cuja funcionalidade não é sequer referida. Aparte estas questões organizativas, uma espécie de preliminares que cada um determinará a respectiva importância, a exposição é imperdível.

    Mas o mais extraordinário ainda estava para acontecer. Na exposição permanente do Museu de Arte Antiga fotografam-se alegremente, com flash incluído, obras que são espólio da humanidade. Não me contaram, vi com os meus olhos.

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