quinta-feira, 27 de setembro de 2007

MAIS POESIA INFANTIL


Manuel António Pina é conhecido dos leitores do “Jornal de Notícias” (há aliás quem leia o JN principalmente por causa dele). O jornalista e escritor, com uma sensibilidade à ciência que não é comum no nosso meio literário, tem vários volumes de poesia tanto para adultos como para crianças e jovens (a sua “Poesia Reunida”, Assírio e Alvim, é de 2001). Da sua poesia infantil, quero destacar “O Pequeno Livro da Desmatemática” (ilustrações de Pedro Proença”, publicado em 2001 pela Assírio e Alvim (nº 8 da colecção Assirinha).

A ideia do autor é brincar com a matemática, desmistificando-a. É uma boa ideia! Mas confesso que fiquei algo perplexo com a citação, na entrada do livro, de Agostinho da Silva: “Que a imaginação te engorde e a matemática te emagreça”. Em primeiro lugar, não vejo a que propósito vem Agostinho da Silva, cuja relação com a matemática será diminuta (formou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa). Está pois errada a frase final do livro, na qual o autor chama a Agostinho da Silva um “matemático muito especial”. Nunca entendi o entusiasmo de tanta gente, nomeadamente jornalistas por esse filólogo e professor de Filosofia, que é autor de teses algo descabidas para não dizer mesmo delirantes sobre o futuro de Portugal e do mundo (Quinto Império, etc.). Em segundo lugar a citação dá a entender que há uma dicotomia entre matemática e imaginação, uma dicotomia que obviamente não existe. Bem pelo contrário. Basta conhecer um pouco a matemática para se intuir que ela é um dos maiores exercícios da imaginação humana. Felizmente que cada vez mais gente percebe isso, incluindo literatos como o escritor alemão Hans Magnus Ernszenberg, autor do “Diabo dos Números” (edição da Presença).

“O Pequeno Livro da Desmatemática” contraria, na prática, a citação inicial. O autor quer desmontar a Matemática (daí o título) para mostrar como ela tem a imaginação dentro dela. A matemática parece ser a imaginação à solta: descreve o nosso mundo físico, mas descreve também mundos só existentes mentalmente. Mas a imaginação matemática não está à solta, encontra-se contida na camisa de forças da lógica...

O livro contém poemas muito inspiradores, nos quais a imaginação matemática se combina com a imaginação literária. Há interessantes jogos de palavras. Gostei mais dos poemas mais curtos (a concisão é uma virtude em matemática!). No final, há algumas histórias em prosa que expõem algumas das maiores criações matemáticas, como o número pi, os números negativos, o número imaginário i, etc. Estas poemas e prosas bem podem contribuir para aumentar o gosto pela matemática nas nossas crianças.

Transcrevo dois breves poemas, um sobre a multiplicação e outro sobre a divisão, que espero multipliquem os leitores do livro:

Um problema de multiplicar

Numa multiplicação,
Se um dos factores faltar
E outro chegar atrasado,
Quando é o resultado?
Valerá a pena esperar?


Um problema de dividir

Partindo da proposição
“Dividir para reinar”,
divide até te fartar
e calcula a reinação!

2 comentários:

  1. Parece que sim, que é precisa muita imaginação e criatividade para resolver problemas de matemática. Pelo menos é o que dizem os especialistas como o campeão das Olimpíadas da matemática que ouvi numa entrevista no jornal 2. Os nossos miúdos ganharam o pódio! Muitos parabéns a todos!

    guida martins

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  2. cara isso é muito chato

    não entenndi nada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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