sábado, 22 de setembro de 2007

FESTIVAL DE MAGIA


Tem estado a decorrer em Coimbra o 11º Festival Internacional de Magia, organizado pela empresa do mágico Luís de Matos e com o patrocínio da Câmara Municipal do político Carlos Encarnação. Depois da "capital da cultura" (um evento onde se delapidou o dinheiro dos contribuintes sem que nada de duradouro ficasse) agora Coimbra quer ser a "capital da magia" (de novo a esbanjar o nosso dinheiro, agora felizmente em menor escala). Numa cidade em que a cultura tem sido alvo do mais completo ostracismo (por exemplo, o único grande teatro da cidade não é apoiado pela Câmara) e onde há necessidades bem prementes noutros campos (por exemplo, há praças públicas que são autêntico mato), é absolutamente escandaloso que a magia seja privilegiada. E que sirva de meio de promoção política ao presidente. Não há dúvida que os políticos, qualquer que seja o partido, gostam muito de ilusionismo. Gostava o anterior presidente socialista Manuel Machado, que andava ao lado do mágico, e gosta o actual presidente social-democrata Carlos Encarnação (o responsável único pela descultura da Câmara), que anda ao lado do mágico. Foi este político que declarou há dias, ao lado do mágico:

"O que precisamos em Portugal é de algum tipo de magia, porque a vida tem sido muito difícil para nós."

Não, caro doutor Encarnação, precisamos é de cultura, aliada à educação e à ciência. Isto não vai lá com truques de magia!


13 comentários:

  1. Caro Professor:

    A Educação (e subjacente a ela, evidentemente, a Cultura) está cheia de passes de mágica com varinhas (não aquelas das cozinhas!) que, para efeitos estatísticos, transformam desaires em vitórias educativas para inglês ver, a bel-prazer dos políticos. Voltámos ao tempo das derrotas da nossa Selecção de Futebol em que perdíamos com a Inglaterra por 10-0, mas ganhavamos moralmente. Assim foi, assim é. Até quando assim será?

    De quando em vez, levantam-se vozes corajosas como a sua a diagnosticar estas situações, a indicar possíveis terapêuticas no desalento de ver a doença da Ignorância a progredir sob
    o efeito de simples aspirinas para tratarem a gangrena de um tecido em adiantado estado de gangrena.

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  2. O ilusionismo não é magia. Nenhum ilusionista afirma seriamente que consegue isto ou aquilo por magia. É apenas uma ilusão. Não é uma pseudo-ciência, portanto. É até um dos campos onde a relação entre a arte cénica e a ciência aplicada é particulamente feliz. Como tal, é uma forma de cultura. Talvez não tão nobre como o teatro. Mas, certamente, tão ou mais interessante, do ponto vista científico, do que muitas acções da Ciência Viva.

    O ilusionismo é uma forma de cultura onde a Ciência aparece como aliada. E onde se pode aprender imenso.

    Magia e pseudo-ciencia é o que se encontra no artigo recente de Aspect, Grangier et al.

    Ilude-se e presta mau serviço à ciência quem julga como Carlos Fiolhais.

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  3. algumas gosto de ver, mas sem duvida que este não é o remédio para curar a nossa vida dificil

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  4. Com os cientistas que temos não vamos longe. Se não abrirmos as portas à imigração de cientistas indianos e de países da Europa de Leste nunca sairemos da cepa torta.

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  5. Caro Carlos P,
    Excepto nos "labels" não há nenhuma referência a que magia/ilusionismo seja pseudo-ciência. E se há alguém que faz mau serviço aos teclados de um computador é você com esses comentários. Das duas uma, ou você não é de Coimbra e não percebeu o que o Carlos queria dizer, ou é de Coimbra e é do PSD (ou apoia o outro Carlos), e neste caso nem merece resposta porque os partidos conseguem com Ilusionismo distrair os seus súbditos.
    Como cientista que é (e agora refiro-me ao Fiolhais) agradeço o contributo que tem feito em tentar mudar as políticas governamentais, normalmente os cientistas vêm a politica como um campo obscuro, onde não se deve entrar, mas cada vez mais nós temos (e devemos ter) um papel fundamental em algumas decisões políticas.
    Bruno

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  6. O label está lá. Porquê? Terá sido descuido?
    Ao longo do post a "magia" e o "ilusionismo" são tratados como sinónimos. Não o são. E, como não o são, o ilusionismo acaba por ser tratado como não algo que não cabe na requisição final "precisamos é de cultura, aliada à educação e à ciência". Como o ilusionismo não fosse um dos melhores palcos da ciência lúdica. Como o ilusionismo fosse magia. Inimiga da Ciência e da Cultura.
    Por fim, este blog é de Ciência e não de politica municipal. Na Ciência há magia suficiente para milhares de posts. Magia que deveria ser denunciada e combatida. Na politica municipal talvez exista muitíssimo ilusionismo, mas mesmo aqui a contribuição de Carlos Fiolhais foi nula. Afinal, diga lá: qual é o município onde não existem queixas em relação à falta de apoio (leia-se, subsídios) à cultura ou à manutenção dos espaços verdes?
    Recordo-lhe que este é o mesmo Carlos Fiolhais que deu pulos de contente com o “Red Bull Air Race”.

    Não sou militante do PSD, não sou de Coimbra, nem sou cliente, familiar, funcionário ou amigo pessoal de qualquer dos envolvidos. Acha que já se pode centrar na argumentação?

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  7. Por acaso um dos mais conhecidos desmistificadores de pseudo-ciências até é "mágico" (ilusionista), o James Randi, fundador da James Randi Educational Foundation que até tem um asteróide em seu nome 3163 Randi.

    Não se percebe este artigo...

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  8. Realmente a culturona é que conta...

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  9. O truque q mais gosto é o de ver tirar coelhos da cartola.

    Acho piada ao truque da "partenaire" fechada no caixão e q n é trespassada pelas espadas.

    À truques de cartas engraçados e aquele em q a moeda sai do nada vinda de trás da orelha.

    Ofereci à tempos um kit de magia ao meu filhote. Espero n estar a criar um presidente da câmara .

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  10. De facto, o "cientismo" (e ateísmo) fundamentalista, não é diferente dos diversos "religiosismos" (ou espiritualismos, como queiram) com o mesmo "zeitgeist".
    Diferem um do outro como difere a extrema-esquerda da extrema-direita - isto quer dizer que diferem muito pouco, se escrutinarmos bem os seus discursos.

    Os espectáculos de Ilusionismo, que popularmente se chamam de magia - ilusionismo é uma palavra complicada, quase um "tongue-breaker", para a maioria das pessoas, que já se sabe são pouco formadas.

    À parte da "oportunidade" da "charge" política, não percebo o teor deste post.

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  11. "...tão ou mais interessante, do ponto vista científico, do que muitas acções da Ciência Viva."

    Hum!!!

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  12. Fui aluno da FCTUC portanto da mesma faculdade onde o caro professor lecciona. Tenho por si estima e admiração, leio o seu blog, vejo os programas sobre ciencia onde por vezes aparece na TV e escuto-o com bastante interesse e atenção!
    No entanto devo dizer que este seu post é lamentável, por vários motivos que passo a explicitar.
    O primeiro é que demonstra uma total falta de conhecimento sobre a arte mágica e o que ela representa nos dias de hoje. Em segundo lugar a arrogância intelectual que exibe sem o tal minimo conhecimento de causa, o que para um fisico de nomeada como é o seu caso, parece-me um erro grosseiro.
    E em terceiro lugar e pior de todos, que manifeste essas opiniões em publico sem sequer se preocupar em tentar perceber que arte é esta, e pior, dizendo que magia não é cultura, o que revela ignorância total!
    Acompanho a magia e tento aprender alguma coisa há longos anos e posso-lhe garantir que se há arte que previligia a ciência e a usa num aspecto lúdico mas construtivo a magia é um caso paradigmatico!
    Fui a quase todos os 11 encontros mágicos e posso dizer que os cidadãos de coimbra tiveram e têm tido o previlégio de assistir à actuação dos maiores mágicos do mundo, através de espectáculos únicos e memoráveis! Estou de acordo consigo quando acho que Coimbra pouco ou nada oferece aos Conimbricences em termos culturais. No entanto sempre achei que os encontros seriam um oásis nesse deserto.
    Que o senhor professor não goste de magia, está no seu pleno direito e respeito a sua opinião. O que eu discordo aqui é que demonstre tanta falta de conhecimento em relação à magia e o diga de forma tão displicente e leviana, tendo a formação que tem!

    Saudações

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  13. Acho que desta vez o sr. prof. excedeu-se nas suas iras cintíficas...resta saber: se os espectáculos fossem no dito teatro pouco apoiado (e poderiam ser) já lhe pareceriam arte e entertenimento? Calma prof...nem só de átomos vive o homem...

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