domingo, 26 de agosto de 2007

O FLUVIÁRIO DE MORA



Minha crónica do último "Sol":

De Lisboa a Mora não demora. São cerca de 100 km por boas estradas até essa simpática vila no Alentejo profundo, a norte de Évora. Desde há cinco meses há mais uma boa razão para lá ir: o Fluviário de Mora, que dizem ser o primeiro da Europa e o terceiro do mundo.

Eu fui e antes de mim já tinham ido mais de cem mil pessoas. Tanto eu como a grande maioria dos outros visitantes demos por bem empregada a ida. Num lugar aprazível, perto de um lago retido por uma ponte-açude, ergue-se uma moderna mas simples estrutura branca que, por fora, faz lembrar as casas dos montes alentejanos. Mas, por dentro, é um surpreendente fluviário, isto é, um oceanário de água doce. Moram lá muitos peixinhos em sucessivos aquários que recriam os habitats de um rio português desde a nascente até à foz. Mas não há apenas barbos, tainhas, achigãs, pimpões e esturjões (estes actualmente extintos nos rios nacionais, pelo que só se podem ver ali). Há também belos peixes exóticos como piranhas vermelhas da selva amazónica e ciclídeos azuis dos lagos do Malawi. Do Brasil há ainda batráquios como uma rã-seta venenosa e répteis como uma poderosa anaconda. Mamíferos só há um casal de lontras brincalhão, semelhante ao “Amália e Eusébio” do Oceanário de Lisboa.

O presidente da Câmara de Mora, José Manuel Sinogas, está de parabéns por este projecto verdadeiramente inovador, que custou seis milhões de euros (metade pagos pela própria autarquia e a outra metade pela Europa) e conseguiu reunir algumas das melhores competências nacionais, como a Promontório Arquitectos (o projecto candidatou-se a prémios internacionais), o designer Henrique Cayate, o informático António Câmara e o desenhador científico Pedro Salgado. O cuidado que a Câmara coloca na cultura está patente, além do mais, em dois magníficos livros de fotografias de pessoas e paisagens locais à venda na loja do fluviário. Não está de parabéns o governo porque não só atrasou o projecto com burocracias injustificáveis como não esteve presente na inauguração.

Agora, que ainda é Verão, não demore: vá a Mora!

2 comentários:

  1. Fui na 3ª feira. Que bom que é descobrir lugares e projectos sobre os quais queremos dizer bem.

    E a estrada (N119) até lá é fantástica, desde os arrozais do Ribatejo até aos sobreiros Alentejanos!

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  2. Também lá fui e recomendo vivamente. A visita pode, e deve, ser rematada com uma incursão gastronómica ao Cabeção.

    O Fluviário é um bom exemplo de iniciativa, sobretudo para certos treinadores de bancada que nada fazem a não ser culpar Lisboa pela sua preguiça.

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