domingo, 29 de abril de 2007

HAWKING E A BREVE HISTÓRIA DO TEMPO


A recente "levitação" do Stephen Hawking num voo parabólico (o físico quer ir mais alto, apesar da sua deficiência física, e subir ao espaço num voo suborbital!) e a recente publicação em português do seu novo livro "Brevíssima História do Tempo" com Leonard Mlodinow suscitam-me a divulgação do seguinte texto sobre esse extraordinário "best-seller" que é "Breve História do Tempo". O texto resultou de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Oeiras sobre os "Dez Livros que Mudaram o Mundo", que deu origem a um livro com o mesmo título publicado pela Quasi em 2005.


É sempre arbitrário escolher dez livros que tenham tido um impacte grande na história da humanidade, mas a comissão a quem a Biblioteca Municipal de Oeiras encarregou da selecção de títulos achou que, dos dez livros a figurar a "top ten", três deviam ser de ciência. Atendendo à pouca atenção que a ciência normalmente costuma merecer nos círculos literários, é caso para dar os parabéns a Oeiras!

Os livros escolhidos foram "A Origem das Espécies", do inglês Charles Darwin, "O Erro de Descartes", do português António Damásio, e "Breve História do Tempo", do inglês Stephen Hawking. Há ainda na lista "A Interpretação dos Sonhos", do austríaco Sigmund Freud, mas pode discutir-se se a psicanálise é ou não ciência (Popper, por exemplo, discutiu-o). Darwin é indiscutível, porque mudou de facto o mundo, ou melhor a nossa visão do mundo: depois de Darwin a nossa visão da história natural passou a ser outra comppletamente diferente. O livro de Damásio é sem dúvida notável, mas a sua inclusão no "top" só poderá ser compreendida por algum, aliás compreensível, portuguesismo. De facto, não temos ainda distância suficiente relativamente à obra para podermos aquilatar do seu real impacte. Finalmente, quanto a Hawking, também não é também líquido que seja um "must": para representar a física, poder-se-ia pensar, decerto com mais propriedade, numa obra de Galileu (por exemplo, os extraordinários “Discursos sobre Duas Ciências Novas”), de Newton (por exemplo, o indiscutível “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” ou de Einstein (por exemplo, o conjunto de cinco artigos que submeteu à revista alemã “Annalen der Physik”, no “ano milagroso” de 1905).

Mas Hawking tem a seu favor, para inclusão na lista dos livros mais notáveis de sempre, os números de vendas. "Breve História do Tempo" já vendeu, desde a sua primeira edição em 1988, cerca de dez milhões de exemplares em todo o mundo, não só no original em inglês, mas em mais de quarenta outras línguas, incluindo o português (a edição portuguesa foi da Gradiva, no mesmo ano da publicação em Inglaterra). Dez milhões de livros são, de facto, muitos livros! Deixa José Saramago ou António Lobo Antunes ou mesmo o desconhecido autor do muito vendido "O Homem que Mordeu o Cão" a enorme distância. Significa um livro por cada português, criança, de meia idade ou ancião. Como a Terra tem cerca de seis mil milhões de habitantes, significa que um em cada seiscentos habitantes da Terra compraram o livro!

E leram-no? Talvez não, com toda a probabilidade não o leram ou só leram uma pequena parte. Trata-se de um livro com um título apelativo – para já não falar do subtítulo "Do Big Bang aos Buracos Negros" - mas não se trata de uma obra fácil de ler. É por isso altamente meritório que o programa "Oeiras a Ler", que enquadrou os "Dez livros que mudaram o mundo", tenha tentado promover a sua leitura. Para abrir o ciclo sobre os “dez livros” a Biblioteca Municipal de Oeiras escolheu precisamente a obra de Hawking. Foi reconfortante ver o Auditório Municipal de Oeiras praticamente cheio, a uma hora nocturna, para uma conversa à volta do livro e do seu autor. Na organização de eventos culturais ou de quaisquer outros, não há milagres, mas sim organização e trabalho.

A pergunta é legítima: por que é que o livro de Hawking vendeu e vende tanto se afinal não é fácil de ler? De facto, a maioria dos presentes na audiência da Biblioteca Municipal de Oeiras tinha adquirido uma das edições do livro do prelo da Gradiva, fosse ela a primeira, fossem as várias que se lhe seguiram, incluindo a espectacular edição ilustrada saída em 2001. A resposta é fácil: o livro vende simplesmente porque o autor é uma pessoa cuja tragédia pessoal é bem conhecida. O seu corpo encontra-se paralisado por uma doença do sistema nervoso central e está, por isso, preso a uma cadeira de rodas computadorizada. Neste livro de Hawking e em praticamente todos os outros dele, a capa mostra o retrato do autor, com um sorriso aberto, mas com o corpo manifestamente frágil. Em "Breve História do Tempo", Hawking faz uma única e curta referência à sua doença. Conta como ela lhe foi diagnosticada quando ainda era estudante em Oxford, tendo-lhe sido dados apenas dois ou três anos de vida (já lá vão quase 40 anos, Hawking já fez 64 anos!). Conta como conseguiu resistir à doença com a ajuda da mulher e de uma mão cheia de amigos, terminando o doutoramento, arranjando emprego como professor na prestigiada Universidade de Cambridge, casando e tendo três filhos (tudo isso por esta ordem).

Uma das motivações de Hawking para escrever o seu livro foi, segundo ele próprio revelou, o pagamento das propinas da filha. De facto, escrever livros que se vendam bem é uma maneira honesta de ganhar dinheiro, no caso muito dinheiro. Mas o livro em causa e os outros serviram também para pagar os cuidados de médicos e de enfermagem que o seu estado de saúde permanentemente requer. Supondo que Hawking ganhou dois euros por cada um dos seus livros (tomando um preco médio de vinte euros e um contrato de direitos de autor de dez por cento), dez milhões de livros significam vinte milhões de euros, uma quantia astronómica, isto é, que não é fácil de conceber. Para quem ainda pense melhor na antiga moeda, vinte milhões de euros são quatro milhões de contos. Hawking, se não houvesse pirataria, bem poderia deixar a astrofísica e viver apenas dos rendimentos...

Mas Hawking prefere continuar com a astrofísica. Em "Breve História do Tempo", trata as questões do "Big Bang", a grande explosão com que o Universo se iniciou há cerca de quinze mil milhões de anos, e dos buracos negros, os corações remanescentes e altamente massivos de estrelas grandes que, depois de velhas, explodiram. Do "Big Bang" tudo sai, devido à força da explosão. Para um buraco negro tudo entra, devido à poderosa atracção gravitacional. Hawking, um dos grandes especialistas em buracos negros, teve a ideia, quando estava a terminar o seu doutoramento, de que o "Big Bang" era afinal um buraco negro ao contrário, aquilo a que poderíamos chamar um "buraco branco". E teve também a ideia de que o Universo, que reconhecidamente começou com o "Big Bang", poderá um dia acabar como um buraco negro, um grande buraco negro. Nesse caso, estaríamos todos nós dentro de um buraco negro, portanto perdidos. Mas descanse o estimado leitor que os dados mais recentes indicam não apenas que o Universo está em expansão mas que está em expansão acelerada devido a uma misteriosa força de anti-gravidade. Este é um mistério que permanece por esclarecer...

Hawking, apesar de agnóstico, fala muito de Deus em todo o livro. Talvez essas repetidas referências teológicas também ajudem, para além da condição física do autor, a explicar o êxito do livro. A última palavra do livro é precisamente Deus, quando Hawking refere a possibilidade de virmos a conhecer o "plano de Deus". Já Einstein, que recusava a ideia de um Deus que se preocupasse com as acções humanas (o Deus da tradição judaico-cristã), gostava de usar a metáfora de Deus (para ele Deus era o mundo, a realidade física). A frase de Einstein "Deus não joga aos dados com o Universo" significa que as leis da física não podem ter um carácter probabilístico. É conhecida a resposta de Bohr a Einstein: não cabia a Einstein dizer a Deus o que Ele devia fazer. Outras frases de Einstein falam também de Deus: “Deus é subtil, mas não é malicioso” significa que é difícil comprender a realidade, mas que não uma missão impossível; e “Só quero saber se Deus teve alguma escolha na feitura do mundo” significa que o grande sábio suspeitava que as leis físicas eram únicas e obrigatórias. Hawking vem na senda de Einstein "invocar o santo nome de Deus” e não será em vão se servir para mais pessoas se inquietarem com os grandes mistérios do mundo que a ciência procura resolver.

O livro de Hawking aborda magnas questões que sempre hão-de preocupar a humanidade: de onde vimos e para onde vamos. Questões como estas estão no seio da nossa cultura. A ciência, ao procurar responder-lhes, é decerto uma parte importante da cultura humana. Hawking poderá não ser, decerto que não é, um cientista da craveira de Galileu, Newton ou Einstein, mas já fez imenso pela cultura científica ao colocar, como Sagan e outros modernamente fizeram, as grandes questões cosmológicas à disposição de todos nós.

6 comentários:

  1. De onde viemos e para onde vamos não sei, mas eu cá vim do útero da minha mãe e, em princípio, vou para baixo da terra.

    É interessante pensar no início deste universo como um buraco branco, sugiro que pensem na morte como a ausência de tempo (não porque me convence, mas por mero exercício intelectual).

    O passado e o futuro só existem nas nossas cabeças. O Aristóteles é mais real que a Branca de Neve? Ambos não existem na vida real, o primeiro porque morreu, a segunda porque nunca nasceu.

    Parabéns Prof. Carlos Fiolhais, excelentes posts!

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  2. Admiro a coragem do Prof. Fiolhais ao pôr em causa este "monstro sagrado" da cultura moderna que é Stephen Hawking (embora já o tenha lido a fazê-lo até de modo muito menos caridoso e cauteloso).
    Eu, ao contrário de muitos, li o livro de fio a pavio, mais do que uma vez. É um livro interessante, faz-nos pensar um pouco, mas tenho de concordar com o Prof. Fiolhais quando diz que está muito longe de ser a obra-prima que as suas vendas indiciam.
    A própria colecção Ciência Aberta da Gradiva tem vários exemplos de livros que deveriam entrar mais cedo para o famoso Top Ten.
    Acho que há mais um ponto em comum entre Einstein e Hawking, que é a sua apropriação pela cultura popular não científica.
    Vários colegas de física tinham, nos seus quartos de Universidade, os famosos posters de Einstein, de cabelo desgrenhado, de língua de fora, a andar de bicicleta em Princeton. É o Einstein popularucho que toda a gente reconhece como ícone cultural e símbolo do génio no mundo ocidental.
    No entanto, o Einstein do annus mirabillis, dos três artigos que mudaram o mundo, era um senhor muito mais composto, de indumentária conservadora, que raramente aparece nas fotografias mais divulgadas (este pensamento não é meu, mas não me consigo lembrar a quem é que o li, pelo que peço antecipadamente desculpa por não atribuir os devidos créditos).
    Embora as imagens de Princeton tenham sido as que ficaram no imaginário popular, o verdadeiro génio de Einstein foi na Europa, muitos anos antes (e quem sabe se, grande parte dele, não o ficou a dever à sua mulher de então, Mileva).
    Penso que o mesmo fenómeno de apropriação pelo imaginário popular se passa com Hawking que, sem negar nenhum do seu brilhantismo, viu a sua fama bastanta ampliada pelo infortúnio que sobre ele se abateu, ao ser vitimado pela doença mais temível que existe: ficar prisioneiro dentro do próprio corpo.

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  3. Existem naturalmente cientistas com mais méritos científicos que outros. Stephen Hawking não estará no topo, por exemplo não ganhou nenhum Nobel, nem produziu ainda nada de verdadeiramente revolucionário. Também é verdade que Einsteins não há muitos e que hoje a ciência se faz mais por colaborações e pequenos avanços, do que por mega revoluções. No entanto o facto de Hawking ser um poderoso comunicador e de ter vendido tantos livros conferem-lhe um estatuto também muito importante na transformação de uma sociedade, mais até que outros cientistas, quiçá, mais significativos. Carl Sagan era um bom cientista, mas era um ainda melhor divulgador científico e contribuiu e ainda hoje contribui muito para levar a ciência a muita gente. Aliás são pessoas destas, nas quais coloco também o Carlos Fiolhais que, ao trazerem a ciência para o público, começaram também a criar uma mentalidade diferente nos cientistas. Por exemplo, a importância do Carl Sagan, é hoje consensual, mas na altura foi muito mal visto por muitos colegas que achavam que a mediatização da ciência era algo negativo e que esta devia ficar confinada ao foro dos cientistas.

    Queria ainda fazer um comentário ao seu post anterior sobre a sua ex-operadora móvel. Desde já refiro que trabalho numa operadora móvel, que não a que referiu. A minha formação básica é engenharia física e não domino na totalidade alguns dos preceitos de marketing e de mercado que levaram a algumas práticas. Não sei também os contornos exactos da situação que descreve mas há algumas questões que queria deixar:

    1. O sector móvel é dos muito poucos (infelizmente) sectores que em Portugal nada deve ao que de melhor e mais avançado se faz nos melhores países. Ou seja temos os serviços mais avançados que há, somos muitas vezes precursores (basta dizer que os telefones pré-pagos nasceram em Portugal), precisamente na sua ex-operadora, que fomos dos primeiros a lançar o 3G, os dados móveis, etc. Temos uma panóplia de serviços muito ampla e avançada. Também ao nível da qualidade dos serviços os benchmarks mundiais deixam-nos na linha da frente na maior parte dos parâmetros. Por exemplo foi também uma operadora móvel (aquela onde trabalho) que, em 1992, trouxe os Call Center universais grátis 24h/365 dias, que trouxe as facturas detalhadas, etc. Tudo isso está hoje generalizado em vários outros sectores.
    2. É claro que há também indicadores que evidenciam que a sua operadora, é a pior qualitativamente, mas as dentro de um patamar elevado, sendo claramente a melhor empresa do grupo onde está. Provavelmente também é cliente desse grupo na TV Cabo ou na rede fixa e veja a diferença gigante de qualidade nesses sectores muito menos competitivos.
    3. Relativamente aos contratos de fidelização refiro o seguinte. Há países onde não se subsidiam telemóveis. Ou seja, na venda do aparelho, o Operador não suporta nenhum custo. Isto acontece assim por exemplo na Itália (mas são poucos os países). Em Portugal, por questões de poder de compra, por questões culturais e por razões históricas, os Operadores suportam parte desse custo na venda. Daí os telefones que se compram nas lojas dos operadores estarem bloqueados à sua rede e serem mais baratos do que se os comprar nas lojas das Marcas dos equipamentos. Os contratos surgem neste contexto. Chamam-lhes de fidelização mas isso é um disparate. É de facto uma retenção, mas a verdade é que esta é suportada por um contrato assinado que significa. “Vendo-te isto por este preço, que é mais barato do que seria em condições normais, mas ficas comigo durante x tempo na rede para eu poder recuperar o dinheiro da subsidiação”. Lembro que o negócio dos operadores não são os telemóveis, que nem sequer são deles, mas sim as comunicações. Este procedimento permite por exemplo que as pessoas renovem com alguma frequência os seus equipamentos, sem suportar um valor tão elevados como o seu custo real.
    4. Isto não obsta a que as explicações devam ser bem dadas e que, quando se assinam contratos, se deva chamar a atenção para estes pormaiores. Enfim disparates que de facto não abonam muito a favor da qualidade de serviço, mas também concepções com desvantagens em algumas coisas, mas também com algumas virtudes.

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  4. Caro João, o Hawking é um cientista de topo que provou algo de muito revolucionário, baseado simplesmente na Relatividade Geral: os teoremas de singularidade, que demonstram que na origem do universo tem de haver uma singularidade no espaço-tempo. Não haveria big bang se não fossem os teoremas de singularidade de Hawking e Penrose. Só este resultado, a meu ver, pode vir a valer-lhe um prémio Nobel.
    Dito isto, concordo com o tom do post. Hawking é um ídolo pop, e por razões muito pouco científicas. Mas Hawking não tem culpa disso.

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  5. About one moth ago I nearly collided with S. Hawking as I was cycling along Trinity street, just in front of Trinity college (Cambridge) and he was coming out from a parked MPV (minivan) on his own, his wheelchair on a metallic ramp from the door edge to the street level. Though his face is quite inexpressive, his eyes denounce someone with an enormous curiosity and deep intelligence.
    Hawking might look like a disabled person and physically he certainly is very much impaired but he is very much awake. On the other hand there are currently billions of people far more disabled than he is, i.e. living in the torpor state of a deep sleep induced by their lazy and useless god or gods they worship. A complete waste of the earth natural resources, brain potential and time (or space).

    Jose M., CF didn’t say what you inferred. I suggest you reread the text. Also, Einstein’s 1st wife Mileva had nothing to do with his 1905 landmark papers. In 1900 she failed her final examination at Zurich Polytechnical School. She failed again in 1901 and then returned to her native Serbia where she had a daughter who Einstein probably never saw. If there are people whose work was a pre-condition for Einstein’s special theory of relativity they are James Clerk Maxwell (Scottish), Henrik Antoon Lorentz (Dutch) and Henri Poincare’ (French). Lorentz (space and time coordinates transform) was one Einstein’s best friends. Of course, science is a cumulative process and there were contributions of many other people.

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  6. Hawking é um cientista de topo que provou algo de muito revolucionário, baseado simplesmente na Relatividade Geral: os teoremas de singularidade, que demonstram que na origem do universo tem de haver uma singularidade no espaço-tempo. Não haveria big bang se não fossem os teoremas de singularidade de Hawking e Penrose.


    Exactamente! E o que é que isso significa, filosoficamente, hein?! Quais são as consequências metafísicas dessas equações matemáticas aplicadas à cosmologia e à física quântica?!

    That is the point, really!!! E, claro, tal como naqueles desenhos em que podemos ver duas figuras distintas, consoante o modo como escolhemos olhar, também as interpretações científicas e metafísicas de muitos destes breakthrough na moderna Ciência variam diametralmente!

    Outrora, mesmo um génio científico como Einstein não admitia a interpretação probabilística da complementaridade onda-partícula. E, curiosamente, fazia-o por amor a uma concepção clássica de um universo ordenado e determinista, algo que até está de acordo com uma certa teologia comum no Ocidente mas NÃO se ajusta ao conceito do Divino no Oriente!

    E esta surpreendente estranheza manifesta-se de novo quando vemos o confronto dos dois físicos acerca dos conceitos de Tempo e Espaço - vide "The Nature of Space and Time", transcrição de uma série de conferências de ambos, em 1994.

    Penrose, tão avançado no seu modelo quântico do cérebro - que defende em "The Emperor's New Mind", "Shadows of the Mind" e o mais recente "The Large, the Small and the Human Mind" -, mostra-se aqui muito mais tímido do que Hawking e bem mais alinhado com a "ordem" einsteiniana, enquanto o professor de Cambridge apoia firmemente a interpretação de Copenhague da mecânica quântica, a qual está bem mais de acordo com a "irrealidade" do universo físico sustentada pela antiga e sempre nova sabedoria do Oriente.

    Só isto mostra a extraordinária complexidade e a encruzilhada em que se encontra a Ciência actual. O que é ou não real?! E será que existem mesmo partículas materiais... really?! Não postula a Teoria das Supercordas que os constituintes fundamentais da matérias são apenas minúsculas cordas que vibram, cada tipo na sua frequência própria?!

    Bem, com a Teoria dos Brana passamos de cordas para membranas e, curiosamente, um universo a 11 dimensões - 10 espaciais e 1 temporal - ou seja, somente menos uma do que aquilo que é postulado nas antigas concepções teosóficas, o que é uma (quase) coincidência interessante... Sendo que a 12ª seria a espiritual, nada mal! :)

    Anyway e para terminar, o que é interessantíssimo salientar é que, nestas visões antagónicas de um universo material ou espiritual - matéria vs. mente/consciência - há posições idênticas de ambos os lados em confronto e outras contraditórias no interior de qualquer um deles. Strange indeed... Logo, diga a ciência o que disser, continua de facto a não haver refutação possível, para já, da concepção espiritualista do Universo.

    Pessoalmente, a única visão inteiramente lógica e intuitiva que conheço é a do multi-milenar idealismo monista das doutrinas védica e taoísta, as quais continuam a ser perfeitissimamente compatíveis com estas visões díspares da ciência acerca da natureza da última realidade e a origem deste universo físico.

    Enfim, enquanto não soubermos algo mais sobre os misteriosos meandros da consciência dificilmente sairemos daqui. Mas as recentes comprovações de que a não-localidade é um facto físico indesmentível e ainda a possibilidade teórica dos sinais super-luminosos, já para não falar dos paradoxos da causalidade - que NÃO existem a um nível em que o Tempo é paradoxalmente simultâneo, podendo o "passado" ser acedido tão livremente quanto o "futuro", num contínuo eterno agora omnipresente! - continuam a ser sustentáculos válidos para uma visão não materialista do universo.

    So things seem quite exciting indeed, e mais agora que alguns físicos teóricos começam mesmo a elaborar teorias quânticas que englobam a consciência como um componente indispensável para a descrição da realidade e a compreensão do Universo fenomenal.

    É mesmo assim tal e qual...

    Rui leprechaun

    (...do macro ao infinitesimal! :))

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